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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

AMAPÁ, o Brasil desconhecido

A onda mais longa do planeta Terra já não existe mais. A Pororoca do Rio Araguari deixou de rugir. A criação de búfalos de forma descontrolada e selvagem nesta região drenou o rio e destruiu uma das grandes maravilhas amazônicas. Mais uma para colocar no crédito dos seres humanos.

O texto abaixo foi escrito em 2009 na minha primeira das três viagens que fiz a esta região, pela Record, SBT e depois NatGeo. Resolvi usar este texto pois ele emana o frescor de minha primeira vez em contato com a grande onda. Usei fotos da época e da última viagem que foi no ano anterior ao fim deste espetáculo, talvez os últimos registros do evento natural. Ficam agora somente as imagens e as memórias.






(escrito em 2009) Quem conhece nosso programa de TV sabe que nossa equipe viaja por todo planeta atrás de imagens de natureza que surpreendam os telespectadores e tragam um pouco dos animais, plantas e diferentes culturas e paisagens às telas brasileiras. Em abril de 2009, chegamos a Macapá, capital do Amapá convidados pela Policia Ambiental do estado “mais preservado do Brasil apenas com a promessa de poder testemunhar um evento natural que, segundo me disseram, marcaria a minha vida, a pororoca. Comecei a conhecer esta capital amazônica pela sua cultura. Minha primeira visita foi ao Mercado onde pude interagir com o povo local e conhecer um pouco das espécies de peixes e frutos comercializados na região. Durante a visita, um dos pescadores do local, em tom meio jocoso, desafiou-me a entrar no rio “que está cheio de botos”. Botos são animais que infelizmente pagam o preço pelos filhos sem pais que as gurias novas ou aquelas que deram uma pulada de cerca atribuem a ele. Se aparece uma barriga em quem não devia, quem foi? Foi o boto que se transformou em homem e arrastou a desavisada e inocente moça engravidando-a. Por mais incrível que possa parecer, tem pai e marido que acredita nesta fábula ainda nos dia de hoje, o que seria culturalmente diferente não fosse o fato destes mamíferos tão inteligentes quanto um cachorro e parecidos com peixes pagarem com a vida por um crime que não cometeram.

Voltei à cidade para um almoço com o pessoal da policia e um dos pratos foi um crustaceo que eu julguei ser um lagostim, espécie de lagosta pequena do mar, muito gostoso. Um dos militares que

estava ao meu lado chamou o animal de pitu, pitu é aquele camarão de água doce que vive nos rios de todo Brasil, só que este era gigantesco. Não acreditei que este animal fosse aquele mesmo camarãozinho que eu conhecia. Claro que fui a uma comunidade que pesca estes animais se utilizando de covos. Os camarões eram gigantescos, maiores ainda do que aqueles que eu tinha visto no restaurante (acho que os gigantes devem ser exportados) com pinças descomunais. Meu próximo passo seria a razão pela qual eu vim ao Amapá, eu iria testemunhar e registrar a pororoca.

Pororoca, que significa “estrondo” em tupi-guarani, é uma manifestação da natureza completamente única. Mais de 20% de toda água doce dos rios que deságua nos oceanos em todo planeta, é derivada da bacia Amazônica. O encontro destes dois titã de um lado o Oceano Atlântico e do outro lado o Rio Araguari. Este encontro produz uma onde que nessa região do Amapá, pode chegar a mais de 4 metros de altura e percorre mais de 70km selva adentro, destruindo as margens do rio com grande violência e impacto. Registrar uma situação como essa não é tarefa fácil, ainda mais que meu objetivo incluía surfar um trecho desta onda. Alugamos uma embarcação e reunimos uma equipe de mais de quinze pessoas com tres voadeiras e um jet sky para esta empreitada: pessoal da policia ambiental, bombeiros e Sergio Laus, um experiente surfista e recordista destas pororocas.

Depois de uma noite de viagem, chegamos à foz do Rio Araguia, de onde partimos com as voadeiras, permitindo que nosso barco se abrigasse. Sentados na beira de um barranco do rio, começo a escutar um barulho constante que vai crescendo. Sergio percebe minha inquietação e diz “Fica frio Richard, é a onda que vem vindo, mas ela ainda vai demorar uma hora para chegar aqui”. “Uma hora e o barulho tão alto?” eu pensei. A gigantesca onda, que varre o rio de margem a margem cresce, arrebentando o barranco e arrastando tudo o que encontra, fazendo que toda e qualquer forma de vida que se encontra em terra, se afaste rapidamente das margens.Só ficamos nós. Subitamente Sergio levanta-se e comanda “Tá na hora!”. As voadeiras deslizam até o meio do rio enquanto atrás de nós uma parede se move em nossa direção parecendo que vai nos engolir. Mantemos pouca distância do monstro e Sergio entra na água com a voadeira em movimento já em pé, segurando um cabo preso à voadeira. E surfa perfeitamente. No terceiro trecho da onda, foi a minha vez de tentar surfar a mais longa onda do planeta, após mais de 20 anos sem subir em uma prancha. Um pequeno impulso de Sergio e eu estava deslizando pela floresta amazonica em êxtase.

Foi neste cenário, completamente surreal e pouco provável que um dos meus mais importantes encontros animais aconteceram. A importância deste encontro está no fato da absoluta raridade deste ser vivo. Poucos biólogos tiveram o privilégio de estar frente a frente, na natureza, com o doce e enigmático tamanduaí.





Assim que chego a um local desconhecido, a primeira coisa que faço é reunir-me com o pessoal da região, do turismo, do governo e, neste caso, com meus anfitriões da Policia Ambiental. Como vocês sabem , bichos não marcam hora, mas estar no lugar certo, na hora certa, aumenta muito as chances de sucesso da missão. Conversando com meus interlocutores e traçando as estratégias, os guias começaram a mostrar fotos de diferentes regiões e dos animais que já tinham tido a oportunidade de encontrar. Claro que eles ficam o ano todo circulando pelas áreas e que eu tinha somente quinze dias. Minhas chances de encontrar os mesmos animas eram muito, muito reduzidas. Olhando as fotos, parei em uma que me chamou a atenção: um bicho peludinho, com cara pelada e todo enrolado. Era um tamanduaí! Meu Deus, era um tamanduaí.




Eu só havia visto um destes bichos no zoológico de Uachipa, em Lima, no Peru. E o pessoal lá tratava do bicho como se fosse o último da espécie. Havia uma tratadora (justamente a esposa do superintendente do zoológico) e uma sala só para ele. Fiquei surpreso e perguntei ao pessoal onde a foto tinha sido tirada. “Aqui perto, na área anexa do CETA Ecotel, na APA (Área de Preservação Ambiental) da Fazendinha”, responderam o guia Marcelo e o dono do Hotel. “Há muitos por lá.” Bem, nem preciso dizer que na mesma hora olhei para todos eles e disse, ansioso: “Gente, existem dois animais brasileiros que eu ainda não consegui ver na natureza: um é o tatu-canastra (que por sinal até hoje, enquanto escrevo esta matéria, início de 2011, continua no mesmo status) e outro é o tamanduaí.”


Não preciso dizer que os próximos três dias foram agitados. Toda uma equipe procurando o famoso animal, que é um tamanduá, o menor que existe na América do Sul, muito raro, que, a exemplo de seus parentes maiores, também se alimenta de formigas e cupins, só que do alto das árvores. Possui apenas duas garras nas mãos, uma delas avantajada, utilizada para romper as casas destes insetos. O grande problema de encontrar este animal é que ele só sai para se alimentar à noite, nunca desce ao chão e é bem pequeno, com menos de 20 centímetros, ficando enrolado durante o dia bem no alto da copa das árvores. Eu, honestamente, não acreditei que pudesse encontrar o animal, mas não queria desanimar a turma, que estava muito empenhada. Enquanto não achávamos o bicho, aproveitamos para gravar outros animais que cruzavam nosso caminho. No terceiro dia, o milagre aconteceu. Estávamos na mata e o celular do nosso guia tocou. Era o dono do Hotel, para mim: “Richard, só vai faltar o canastra na sua lista”. Tinham localizado um exemplar de tamanduaí. Como o bicho não se movimenta durante o dia, corremos para o local indicado, e quase desabei. Eu estava a menos de dois palmos de distância de um tamanduaí em plena natureza. Pedi ao meu mateiro para subir na árvore e baixar delicadamente o galho em que ele se encontrava, para que eu pudesse vê-lo mais de perto, já que estava todo enroladinho na mata de capoeira de várzea. Com o bicho à altura de meus olhos, estendi minha mão na continuidade do galho onde ele já lentamente começava a movimentar-se percebendo a agitação ao seu lado. Ele, com ar meio sonolento, subiu em meu braço direito, e o acomodei entre minhas mãos, trazendo-o de encontro ao meu peito onde ele se aninhou com os olhos fechadinhos. Não acreditei! Estava boquiaberto e com os olhos marejados de alegria e admiração. Naquela mesma noite Deus foi generoso e nos presenteou com mais um tamanduaí, em plena atividade, alimentando-se e com um bônus, um filhote agarrado às costas, fato que nunca presenciei em documentários. Este é o Amapá, uma terra esquecida por nós brasileiros mas abençoada em natureza por Deus.

A Pesca Esportiva no Rios

Escrever a respeito da pesca pra mim é sempre estimulante, não só pela minha história profissional e escolhas que sofrefram uma influência definitiva de minhas experiências pescando com meu avô materno desde criança, mas especialmente, pelo meu respeito a estes animais, os peixes, tão importantes na evolução de todos os vertebrados terrestres que conhecemos hoje.




Já passou dez anos em que toda semana, em diferentes meios de comunicação audiovisual apresento um programa sobre animais, culturas nativas e natureza. Primeiro foi a TV Futura, depois a TV Record, depois o SBT e hoje a National Geographic e a Bandeirantes.

Antes da televisão por cerca de oito anos estive `a frente de um criadouro conservacionista, vamos colocar pra quem não conhece, um local que abrigava animais silvestres, quase um zoológico. Ou seja, nos últimos vinte anos de minha vida, quase metade dela, estive ligado profissionalmente com a questão dos animais. Mas, tudo isto, minhas escolhas e oportunidades começaram na pesca.

Meu avô, um italiano apaixonado pelo Brasil, adorava pescar. Adorava também o neto único que ensinou a pescar em Bertioga quando eu tinha menos de cinco anos de idade. Naquela época em Bertioga, o peixe mais desejado era o robalo que se pescava embarcado no canal próximo à balsa.





Com doze anos de idade meu avô começou a me levar para desafios maiores na pesca, ao Pantanal e Amazônia. Naquela época, trinta anos atrás a turma de pesca levava embora tudo que retirava dos rios, era uma pesca esportiva nada ecológica, bem predatória. Trinta anos atrás não se tinha consciência ecológica e o conhecimento que temos hoje. Meu avô viria a terminar seus dias comigo pescando no nosso amado rio Miranda com mais de oitenta anos de idade praticando o pesque e solte.

Desta forma, a pesca foi o pano de fundo para que eu aprendesse a respeitar e conhecer a natureza destes locais maravilhosos tanto no Pantanal como na Amazônia. E isto funciona até hoje. Quando se viaja para uma pescaria, são gigantescos os aprendizados. Cada curva de rio abre novas paisagens e oportunidades. Quantas vezes, enquanto pescava vi onças no barranco, dezenas de aves e macacos diferentes, tamanduás e capivaras cruzando os rios, jacarés se alimentando.

Isto sem falar na surpresa do que vai sair da água na ponta do anzol na sua linha de pesca.
A variedade de peixes de nossos rios é gigantesca, somos o número um do planeta em biodiversidade de espécies de peixes.
E a cada puxada e embarcada para uma foto, uma lição recebida do piloteiro que fala o nome popular do peixe na região, conhece seus hábitos, o tamanho que atinge, a melhor época e técnicas para fisga-lo e até em alguns casos o nome científico e em inglês do peixe.

Nestes últimos anos em que estive à frente de programas de televisão sempre encaixei programas que envolvem a pesca até porque esta é a única maneira de conhecer estes seres que vivem embaixo da água de rios. No mar ainda podemos mergulhar e ir visita-los em seu habitat mas nos rios, exceção feita a alguns lugares espetaculares e cristalinos como Bonito no Mato Grosso do Sul.

Tive encontros fabulosos com alguns seres vivos que me emocionaram. Meus melhores encontros foram no rio São Benedito com um Jaú de cerca de sessenta ou mais quilos. Ainda no rio São Benedito, a gigantesca piranha preta, o poraquê chamado de peixe-elétrico e a esportiva e impressionante cachorra. Outros grandes bagres tive a oportunidade de soltar também como a linda Pirarara em Itacoatiara no Amazonas e uma Piraíba no Araguaia onde também tive a oportunidade de encontrar com o incrível peixe macaco, o Aruanã. Em Manaus, a despesca do gigante pirarucu e a liberação em um tanque do estranho cuiú-cuiú. Nos Estados Unidos, mais exatamente no Texas conseguimos mostrar o lendário peixe-jacaré, o Gar Fish, uma conquista que nos levou mais de quatro dias para realizar. Recentemente tive a oportunidade, desta vez gravando para a National Geographic de gravar uma arraia de rio simplesmente gigantesca, que enquanto era gravada, deu a luz, pariu dois filhotes.

Gostaria de terminar este breve artigo com uma colocação simples já que estamos falando de pesca e consequentemente de peixes. Sim, peixe é bicho. Apesar de ser tratado como recurso pesqueiro e visto somente como alimento, peixe é bicho. Aliás é um bicho muito importante. Peixes são os primeiros vertebrados de nosso planeta, que um dia rastejaram para fora do ambiente aquático e evoluíram para os anfíbios e depois répteis e daí finalmente as aves e mamíferos. Ou seja, na melhor hipótese e de forma grosseira, nós mesmos viemos da evolução de um peixe.




O pesque e solte é uma atividade que deve ser estimulada pois é um processo que apresenta somente ganhos para todos os envolvidos e para a natureza. Pescar é uma atividade familiar, de descoberta para as crianças que se encantam com os peixes e com os outros animais que encontram além da própria atividade que pode ser muito divertida. Leva recursos econômicos para uma região natural e move toda uma cadeia de serviços que inclui os isqueiros (pessoal que pesca as iscas geralmente muito pobres que vivem `a beira de igarapés), os piloteiros que viviam anteriormente muitos como caçadores e pescadores na região e se tornam guias com um conhecimento único sobre a floresta. Hotéis de pesca e selva além de restaurantes e comércio local que servem o turista e que são os maiores estimuladores de um processo de pesca sustentável pois seus investimentos dependem diretamente da existência dos peixes nos rios pois sem eles, não há turismo e consequentemente seus investimentos vão por água abaixo, literalmente. Outra coisa, se você é daqueles que sente pena dos peixes por serem ferrados através de anzóis, não se preocupe, as terminações nervosas de peixes na boca são diferentes das dos seres humanos eles não sentem a mesma dor até porque se sentissem não se alimentariam de outros peixes e seres que vivem nos rios cheios de espinhos e pontas.

O que posso mais dizer! Sim, leve seu filho e sua esposa nas próximas férias para pescar em locais que apoiam o pesque e solte. Garanto diversão e aprendizados que vocês lembrarão por toda a vida.

Salvem os Rinocerontes

Eu sempre fui apaixonado por rinocerontes. Confesso que é difícil dizer qual é o meu bicho predileto, já que consigo observar a beleza em diferentes animais.
O meu conceito de beleza é bastante particular e muitas vezes não corresponde aos valores que a maioria observa. Rinocerontes são animais de proporções jurássicas e apesar de sua força descomunal são extremamente pacatos. É só olhar nos olhos de um bicho destes que pode chegar a 3 toneladas e perceber que são amáveis.
Porém, uma recente onda de caça desaparecida há tempos voltou a ameaçar estes doceis gigantes.  Em 2008 cerca de 14 rinocerontes foram caçados na África do Sul, país que abriga cerca de 80% de toda população de rinocerontes do continente africano. Em 2009, graças ao pronunciamento de um membro do governo do Vietnã que alegou ter sido curado de câncer graças a um composto que continha cornos de rinocerontes, o número destes animais abatidos cresceu para mais de 300, e ano passado, em 2011 passou de 440 indivíduos e desde lá beira 1.000 animais por ano, um massacre. Temos que lembrar que existem cerca 22.000 rinocerontes brancos e 4.000 negros em toda África.

Helicóptero decola em busca dos rinocerontes
Fomos convidados em 2011 a participar de uma atividade conservacionista muito interativa lastreada no turismo ao norte da África do Sul, na fronteira com Botswana, que consiste em uma operação que envolve helicópteros, veterinários, staff de reservas e turistas com o objetivo de colocar um microchip no corno de dois rinocerontes além de coletar amostras de DNA e realizar marcação individual.
Uma proposta irrecusável e imperdível e nossa equipe foi ao Game Reserve Madiqwa para participar deste trabalho em conjunto com o pessoal de lá. Esta é uma das medidas tomadas para evitar e/ou dificultar o comércio ilegal destes cornos.
Acampamos no local e logo cedo, antes de amanhecer, já estávamos a caminho do local de onde partiria o helicóptero. Coloquei uma câmera no aparelho que o veterinário responsável pela sedação carregava e o piloto e lá fomos nós acompanhando por terra.

Após um curto voo, encontramos um grupo de 3 rinocerontes e o veterinário acerta um deles com um dardo de sedativo
Em menos de dez minutos recebemos um rádio de outros helicópteros, que afirmaram  que o dardo anestésico já havia sido atirado em um macho jovem. Em menos de 3 minutos chegamos ao local da ação e o rhino já estava deitado. Um momento sublime de total interação com este bicho incrível. Enquanto acompanhávamos o trabalho do pessoal da reserva eu aproveitava para tocar o animal, sentir sua respiração, seus dentes … Em poucos minutos a operação estava completa e o veterinário aplicou um reversor na orelha do “cara”, que em poucos segundos já se levantava. Olhou para um lado, para outro, andou uns passos para frente, virou a cabeça completamente – nos observando – e foi-se trotando. Incrível!!!
O segundo “cara”, outro branco, foi melhor ainda pois chegamos ao local poucos segundos depois do dardo ser atirado e o rhino – uma fêmea desta vez – , ainda estava em pé, cambaleando e trotando descordenadamente. Ajudamos o bicho a deitar e outra vez tivemos a oportunidade única de estar ao lado de um dos maiores mamíferos terrestres do planeta.

Equipe acompanha rinoceronte, que sedado, permite a aproximação

A maior parte das vezes em que realizamos um trabalho como este, que pretende combater e inibir a caça e extinção de animais, nós não temos a dimensão exata do que estamos falando, apenas relatamos números. Porém, desta vez nossa equipe foi surpreendida por “um raio que nos acertou na cabeça”, já que na mesma manhã em que estávamos realizando este trabalho, um rinoceronte negro foi abatido por caçadores no mesmo parque em que estávamos, com um tiro de fuzil na cabeça e seu corno foi arrancado. Estes cornos serão levados para os mercados Asiáticos e usados na medicina chinesa. Ou nas adagas de homens “de respeito” do Yemen e/ou como medicamento no Vietnã.

Observa cabeça de rinoceronte negro decepada e que teve o corno arrancado
Nossa equipe chorou…
Infelizmente ao voltar ao continente africano agora em final de 2014 percebemos que a situação não mudou…rinocerontes continuam sendo mortos e os governos fazem de conta que não é com eles!!!! Estamos permitindo que estes animais sejam levados a números tão reduzidos que não haverá mais variabilidade genética que permita sua sobrevivência.


A Fauna, Desesperada, Procura se Adaptar

Tenho quarenta e cinco anos de idade, e destes, mais de trinta e passei na Granja Vianna, o que representa mais de dois terços de minha vida. Eu adoro viver na Granja.
Um bairro que pertence a três municípios, Carapicuíba, Cotia e Jandira, único. Recentemente a Granja foi descoberta pelo setor imobiliário e as pessoas perceberam que o paraíso está a menos de 30 minutos de São Paulo.

Uma grande quantidade de novos negócios e condomínios está surgindo e infelizmente a Granja não será mais a mesma. Uma pena. Porém, apesar de toda esta nova invasão do ser humano, como morador da Granja e observador de longa data dos animais que aqui fazem o seu habitat, tenho notado uma invasão silenciosa que talvez outros moradores não tenham percebido, talvez por não conhecerem outros locais de natureza mais abundante do que nossa querida Granja Viana.

Uma surpreendente invasão de animais silvestres. Todo dia que vou para casa, nos breves intervalos de viagens, passo ao lado de um laguinho utilizando uma ponte sobre o rio Cotia que pertence a uma tímida APA. Para quem não sabe, APA, é a sigla que significa Área de Proteção Ambiental, um modelo de Unidade de Conservação que tem por objetivo proteger uma determinada região natural, e que suporta a presença humana.

Castigada pelas águas do Rio Cotia que trazem sujeira e lixo das áreas que atravessa, especialmente em época de chuvas, este pequeno local, como um oásis em meio aos constantes desmatamentos, têm atraído uma grande quantidade de aves, mamíferos e répteis.

Nos últimos anos, eu e minha equipe temos registrado despretensiosamente estes animais, montando um arquivo que vem se tornando maior e maior. Acredito que, infelizmente, esta alegria em ter estes animais em nossa região, seja na verdade resultado de uma perda.

Perda de habitat próximos com áreas de mata, mesmo que secundárias, que abrigavam estes animais e que hoje estão sendo suprimidas para dar espaço aos novos empreendimentos de toda esta região. Preço do aumento populacional. Não vou publicar aqui todas as fotos de animais fotografados e avistados, mas gostaria de ter a chance de repartir a lista dos animais que frequentam nossa Granja Viana, a menos de 20 minutos do bairro do Butantã.

Vamos aproveitar enquanto podemos... Gambá, Ouriço Cacheiro, Coruja Orelhuda, Papagaio Verdadeiro, Biguá, Socozão, Frango d’agua’ Irerê, Garça Branca grande, Garça Branca pequena, Arara Caninde, Jararaca, Coral falsa, Teiú, Jacu, Esquilo, Sagui, Pica-pau vermelho, Pica-pau amarelo, Alma de gato, Capivara, Nutria, Cobra papa-lesma, Sapo cururu, Urubu Cabeça Preta, Morcego Frugívoro, Tucano Toco, Tucano de Bico Verde...